domingo, 20 de agosto de 2017

Procura-se profissional júnior... será???


Quantas vezes você já viu oportunidades para profissionais de nível pleno ou sênior, inclusive, e que são listadas como vagas para estagiário ou profissional júnior?
É bem comum ver anúncios semelhantes a este:

Oportunidade de Emprego
Analista de Negócios Jr.
Perfil: Iniciante
Graduado em Ciência da Computação, Informática ou áreas afins. Conhecimentos em gestão de projetos, liderança de equipes, metodologias ágeis. Necessário ter experiência anterior como analista de negócios e desenvolvimento de sistemas. Inglês avançado.

Espera ai, pessoal. Não tem algo de errado?

Isso seria mesmo uma vaga para um profissional Júnior? E isso quando não tem um monte de nomes de tecnologias que nem um arquiteto ou DBA sênior conheceriam... ou que não tem nada a ver com a oportunidade que está sendo divulgada e ainda, às vezes, escritas erroneamente ou com um “português” de doer...

Vamos destacar algumas coisas: “Oportunidade” de Emprego. Isso quer dizer uma vaga de emprego que oportunize ao profissional desenvolver uma carreira. Ainda, quando você inclui no título da vaga a palavra “Jr.” poderíamos, inclusive rever o conceito da frase anterior: “Oportunidade” de Emprego para profissional Júnior. Isso quer dizer uma vaga de emprego que oportunize ao profissional iniciar uma carreira.

Sabemos que sempre haverá profissionais que se candidatarão a essas “oportunidades”. Algumas vezes profissionais que não tem todos os requisitos (o que me parece mais óbvio, visto a palavra “Jr.” no título) ou profissionais com ótimos conhecimentos teóricos, mas sem experiência e, em ambos os casos, provavelmente não serão selecionados.

Porém há um perfil de profissional que certamente terá todas as características desejadas e que, por um lapso de insanidade ou desespero, enviará seu currículo. É um profissional pleno (conforme o dicionário: “que está completo, inteiro.”) ou ainda um profissional sênior (acho que não preciso trazer esta definição, não é mesmo?). Essas pessoas, que já possuem uma experiência sólida, carreira e espaço definidos no mercado de trabalho, se sujeitam a “oportunidades” como esta descrita acima, tendo em vista a perspectiva de ficar desempregado.

Qual o resultado disso? Profissionais, recrutadores e empresas felizes? Ou profissionais que recebem um salário muito abaixo das suas qualificações, recrutadores desesperados para conseguir pessoas que se enquadrem em todos os requisitos necessários e empresas com diversos funcionários subutilizados e infelizes?

Sabemos que quem escreve o texto das vagas a serem publicadas na maioria das vezes não são os recrutadores, mas vale sempre a reflexão. Qual é o objetivo da vaga mesmo? Que tipo de profissional está buscando? Qual a faixa salarial? Esse requisito é realmente obrigatório ou somente “desejável”?

Infelizmente vemos muito isso quando acessamos um site de vagas ou o próprio Linkedin. Será que aqueles que disponibilizam estas vagas, não estão sendo rigorosos demais? Se a intenção é realmente contratar um jovem estagiário ou profissional júnior, não seria melhor que, ao invés de exigirmos dele experiência, pedíssemos a ele que tivesse conhecimentos teóricos, aptidão para a profissão, vontade de aprender?

Se você é um jovem em busca de emprego, certamente vai se decepcionar quando ver uma vaga descrita com essas palavras e exigências.

Se você é um profissional pleno/sênior (e não estiver há meses ou anos desempregado), provavelmente se decepcionará também.

E se você é recrutador e uma empresa solicitar a divulgação de uma vaga de emprego como essa? Bom, neste caso, a menos que você consiga negociar com o seu cliente para que o mesmo possa definir melhor a vaga, você já deve saber que terá um trabalho bastante árduo pela frente.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Não mate a sua criatividade!


Ao longo dos anos, desenvolveram-se no que diz respeito às profissões e às carreiras e, principalmente no âmbito da Tecnologia da Informação, duas vertentes de pensamentos e certamente você se encontra em uma delas: ser especialista ou não ser?

Apesar de o assunto parecer esgotado para muitos e já ter sido debatido por pessoas extremamente qualificadas das áreas de gestão, desenvolvimento pessoal, psicológico e o que mais você quiser, eu vou me atrever (sim, eu vou) a escrever sobre isso.

Ser generalista é um pensamento mais óbvio, até por que a grande maioria das pessoas “escolhe” sua profissão por ser rentável ou por ter mais oportunidade de emprego, o que lembra aquela frase famosa de Lewis Carroll: “Se você não sabe onde quer ir, qualquer caminho serve.”, adaptando para a situação mencionada, se vocês não tiverem uma vocação específica ou não tiverem um sonho, uma grande vontade de ter determinada profissão, vocês poderão ter qualquer profissão (arquiteto, engenheiro, mestre de obras, azulejista, pedreiro, servente, etc.) e poderão viver infelizes para sempre.

Mas vejam só, um pensamento que parece sensato é: se vocês tiverem uma profissão qualquer, desde que seja rentável, então poderão ser felizes fora do ambiente de trabalho. E, neste caso, passarão grande parte do dia fazendo algo que incomoda, aborrece, faz querer mudar. E muitas vezes, mata sua criatividade, torna vocês em pessoas infelizes, que nem conseguem se divertir quando finalmente o relógio chega às 18 horas.

Do ponto de vista do profissional, seria bom ser especialista? Sim, em geral seria. Se ele pudesse escolher a melhor profissão para si mesmo, aquela que lhe desse mais prazer em passar o dia. Bom para o profissional no sentido de que ele faria o que quer fazer. Mas.... e se não houverem vagas de emprego para a sua especialização? De fato a oportunidade de emprego (ou a falta dela) tem sido um fator decisivo para os profissionais escolherem o seu rumo.

Quantos programadores(as) você conhece que não “nasceram para programar”? Não têm boa lógica? Não gostam de programar? Reclamam do seu emprego como programador o tempo todo? Preferiam ser analistas de negócios, médicos ou uma “simples” modelo internacional milionária e magérrima? Bom, neste caso, lamento informar, mas temos mais vagas para programadores mesmo.

Este artigo foi escrito com um objetivo: fazer refletir sobre a oportunidade de ser quem você quer ser, sem descuidar da sua profissão/especialização. Estudar outras temáticas, ficar aberto a novos horizontes, fazer cursos, ler ou simplesmente conversar com pessoas de outras áreas que nos interesse mais, é um bom começo. Se ainda não sabe muito bem o que quer, procure conhecer várias profissões, como é o dia a dia de quem tem aquela profissão, quais talentos ela exige.

Aos profissionais eu peço: não matem sua própria criatividade. Não se rendam a necessidade do salário do final do mês, mantenham-no, é claro, mas preparem seu futuro para chegar onde você quer um dia, até por que, se formos falar em aposentadoria... bom, melhor pensar sobre a carreira mesmo.


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Afinal, quem realmente precisa de Análise de Negócios?

Recomendo a todos (NÃO só aos analistas) este artigo que, embora NÃO seja meu, concordo plenamente com seu conteúdo e tenho certeza ser de boa qualidade. Vocês vão gostar. 



Boa leitura!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Requisito Funcional x Regra de Negócio - A batalha dos Analistas de Negócio

Como analista de negócios percebo a dificuldade que é para alguns analistas diferenciar requisitos funcionais de regras de negócio.
Eu até ia escrever sobre isso, mas resolvi primeiro pesquisar no nosso amigo Google e encontrei um artigo muito bom sobre o tema.
Deixo o link para vocês lerem pois vale muito a pena, mesmo para analistas mais experientes.
Engenharia de Requisitos – Requisito Funcional x Regra de Negócio – Quem é quem?


segunda-feira, 14 de setembro de 2015


Este artigo NÃO é meu. Mas como eu gostei muito e tem tudo a ver com nosso blog e nossos assuntos, resolvi reproduzir aqui citando, é claro, o autor, que é uma referência pra mim em termos de análise de negócios.

De onde veio a análise de negócios e da informação?

Paulo Vasconcellos
Um dia existiram os analistas de organização e métodos - O&M. Íntimos da alta direção, esses profissionais deveriam garantir boa distribuição de recursos e total padronização dos métodos de trabalho. Desenhando processos, políticas, leiautes de instalações e formulários, os analistas de O&M demonstravam toda a sua força.
Sabiam indicar, por exemplo, a posição de cada mínimo equipamento e cada surrada mesa de trabalho. E não havia uma desimportante comunicação interna que não fosse balizada por seus completos formulários (com quatro cópias carbonadas).
Não demorou para que aquele instrumento de integração e padronização virasse o motivador de entreveros mil. Nada a ver com má fé, incompetência, corrupção ou males afins. O fato é que ninguém gosta de árbitros e fiscais. Muito menos uma categoria que surgia batizada por Peter Drucker como os trabalhadores do conhecimento.
Há mais ou menos trinta anos tinha início uma grande revolução. Os computadores ficaram menores e mais acessíveis. Invadiram as empresas trazendo consigo novos profissionais, dentre eles o analista de sistemas. Não parece ser coincidência que o surgimento deste e a proliferação de novos fiscais - os sistemas de informação - tenha se dado na época em que os analistas de O&M foram extintos.
Chegam os anos 1990, a década das grandes promessas: downsizing, reengenharia, arquitetura cliente-servidor, interfaces gráficas, RAD, case, DBA’s, gerentes de projetos, analistas-programadores... Analistas-programadores? Pois é, alguma coisa não ia bem no mundo da análise de sistemas. Pode ter sido aanalysis-paralysis, doença que vitimou diversos projetos. Os analistas não conseguiam sair de um ciclo de entrevistas, modelos, brigas e mais entrevistas. Seriam os recém-chegados gerentes e DBA’s os hospedeiros originais daquele vírus?
Não importa. O fato é que os analistas de sistemas ganharam nova atribuição: codificar. Deveriam construir aquilo que projetavam. A ideia não era tão má. E os novos conceitos e ferramentinhas - RAD, case - davam a motivação necessária.
A academia também comprou a ideia dos "analistas-programadores". Gradativamente, impregnou os currículos de analistas e afins com incontáveis disciplinas técnicas em detrimento daquelas que ensinavam a entender pessoas e negócios. As escolas ignoraram por completo alertas como o de Tom DeMarco e Timothy Lister: "Nosso negócio é muito mais sociológico do que tecnológico, é mais dependente de nossas habilidades para conversar com pessoas do que das habilidades para conversar com máquinas" (Peopleware, McGraw-Hill, 1987).
Internet, telefonia celular, ERP, CRM, PLC, EAI, SOA... A virada do século chegou repleta de novidades tecnológicas. Impulsionado por elas, pela globalização e outras mudanças, o mundo dos negócios se tornou mais dinâmico e instável. Mas é hora de uma pausa e um retorno no tempo, mais precisamente para 1992. Neste ano, o Prof. Roberto Saviani publicava pela Atlas um livro chamado "O Analista de Negócios e da Informação". Um pequeno trecho: "(...) o mercado passou, desde o início da década de 80, a buscar um profissional que, utilizando a tecnologia de informação, pudesse apoiar a empresa em seus negócios, em sua forma de competitividade e tivesse uma visão muito mais ampla que somente a hermética área de Informática: o Analista de Negócios e da Informação."
Se o mercado realmente começou sua busca no início dos anos 1980, então ele demorou uns 30 anos para encontrar. Foi apenas nos idos de 2005/2007 que surgiram, no Brasil e lá fora, as primeiras vagas para analistas de negócios. Em algumas organizações, infelizmente, o analista de negócios ainda é visto como um "tirador de pedidos" - o profissional que ouve clientes e usuários e "anota" tudo o que ele precisa.
Outras, mais atentas, entendem que o analista de negócios chegou para apoiar os processos de descoberta e desenvolvimento de soluções. Quando essas soluções passam por TI, são esses profissionais que reforçam a noção de que o trabalho ali é "mais sociológico do que tecnológico", tem mais a ver com gente do que com máquinas.  cuidando dos diversos relacionamentos, gerenciando expectativas e, principalmente, se mostrando sinceramente comprometido com a solução de um problema que o analista de negócios realiza sua função.

http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/1555

Paulo Vasconcellos
Consultor, palestrante e articulista, com mais de 20 anos de experiência em projetos de desenvolvimento de sistemas, liderou projetos para empresas como Liberty Seguros, Lojas Riachuelo, Renault do Brasil, O Boticário, Marítima Seguros, dentre outras.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Analista e o RH

Por Neiva Nessi.

Bom, daí você era analista de alguma coisa e essa era a sua  especialidade, mas pela má sorte ou qualquer outra coisa você foi promovido ao mercado de trabalho. Sim,  isso mesmo, demitido.
No início,  você comemora a liberdade, sai para beber com os amigos e aproveita para dormir até mais tarde, mas depois termina a grana da indenização e você sabe que é a hora de procurar outro emprego. E é aí que a confusão começa.
Você era analista de quê mesmo? Ah sim, analista de sistemas... desculpe, mas nessa empresa nossa vaga é para analista de testes. Mas porque diabos a descrição da vaga era "Analista de T.I. Sênior"? (Ah, sim, esse tema com certeza terá um novo artigo!)
Você já se viu em alguma situação parecida? Sim, talvez, não, com certeza. A verdade éque essa "falta de padronização" incomoda de ambos os lados: recrutadores e recrutados. Perda de dinheiro, perda de tempo, oportunidades desperdiçadas. E a culpa é de quem?
Perdoem-me os especialistas, mas a culpa pode ser do RH sim. Eles são os especialistas em recrutamento, não é mesmo? Sim e não. É claro que a obrigação de saber descrever a oportunidade, divulgar a vaga, entrevistar os candidatos adequadamente e selecionar os melhores e mais adequados é do RH, mas existem outras questões a serem avaliadas.
É tanta vaga pedindo gente com experiência em tudo e mais um pouco (e o pior, coisas que não são do perfil da vaga, ou que a empresa nunca vai precisar que a pessoa conheça efetivamente), que os candidatos acabam mentindo ou se desanimando.
Mas o responsável do recrutamento, em geral, não cria o perfil técnico da vaga, não émesmo? Alguém chega para um recrutador que não entende nada do ramo da empresa e diz: "Cara, eu preciso de mais gente, contrata aí o que tu achar melhor"? Não, com certeza não (se a sua empresa faz isso, talvez alguém precise de demissão ou tratamento psicológico por ai).
Primeiramente, os recrutadores precisam se inteirar das necessidades das empresas às quais ele atende. Sim, isso sim. Mas para que as coisas deem certo, o responsável técnico pela contratação deve comunicar ao recrutador exatamente o perfil de profissional que ele procura. Bom, então enfim tudo ficará bem? Não.
Eu já vi recrutamento de Analista de T.I. para quase todas as áreas (se não todas mesmo) da informática. Dai você manda currículo pra todas as vagas que aparecem e ninguém te chama. Ah, claro, não era o seu perfil que eles procuravam. Por quê? Você nem leu a descrição da vaga.
Título: "Analista de Sistemas Pleno". Descrição da vaga: experiência em helpdesk e suporte técnico ao Windows e pacote MS Office." Então, com um título e descrição assim será que os candidatos serão os mais adequados? Provavelmente não. E não só por que o título não seja o mais correto, afinal não existe um órgão regulador para a função de Analista de Sistemas. Os motivos principais são por não bater o título com a descrição da vaga e por uma descrição da vaga tão curta.
Por quê? Por que não é só as atribuições do cargo que importam para uma escolha correta do perfil ideal para cada oportunidade de trabalho. Deveriam ser avaliados diversos pontos só para a descrição acima:
- Tempo de experiência necessário;
- Nível de conhecimento (não adianta dizer Júnior e esperar uma pessoa com 5 anos de experiência, não é mesmo?);
- Faixa salarial compatível e benefícios disponíveis (isso filtra bastante o público-alvo);
- Forma de atuação (presencial, por telefone, no cliente, etc.);
- Quais versões do Windows e MS Office são atendidas.
Dentre outras muitas perguntas que poderiam ser feitas para o candidato antes de telefonar ou mandar e-mail agendando entrevista, e fazer o coitado atravessar a cidade pra dizer que não sabe fazer o que esperam dele.
Então são vários os fatores que façam que o dilema "analista x RH" ainda não tenha um final feliz. Mas já conseguimos elencar aqui algumas boas respostas.
Pode ser que todas essas coisas sejam um empecilho para o andamento da sua carreira. Talvez por isso tudo você não tenha conseguido uma nova oportunidade de trabalho e está precisando "apertar o cinto" para pagar as contas. Mas também pode ser que o problema seja o formato do seu currículo. É, a verdade é que no final, até você ser contratado, ninguém nunca sabe!

Por favor, mantenham os meus direitos autorais!